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Healthcare

2012-11-13 16:29:32 - R7

Bairro perde hospital e vê ascensão de clínicas

Nova York – O fechamento do St. Vincent's Hospital em Greenwich Village, há dois anos, gerou uma luta pela supremacia da assistência médica em alguns dos bairros mais distintos de Nova York, oferecendo um vislumbre, no processo, do que poderá ser o futuro da medicina urbana.

Sem construir um hospital, a grande cadeia Continuum Health Partners está estabelecendo sua presença em Chelsea e no Village ao conectar-se com clínicas ambulatoriais, tentando dominar o mercado e criar uma rede de alimentação para seus hospitais em outros bairros. Ela está unindo forças não só com clínicas tradicionais, mas também com novos experimentos – como médicos trabalhando em farmácias. Um concorrente, o NYU Langone Medical Center, está ampliando seus consultórios médicos e, como a Continuum, contratou dezenas de médicos vindos do St. Vincent.

Diversos centros de "atendimento urgente" também entraram no vácuo deixado pelo St. Vincent, esperando mostrar que são mais eficientes e amigáveis ao consumidor do que um sistema baseado em hospitais – embora alguns já tenham começado a formar relacionamentos com os hospitais.

"Ainda estamos tentando descobrir se somos ameaças ou ativos uns para os outros, e provavelmente somos as duas coisas", afirmou Alicia Salzer, cofundadora do Medhattan, um centro de atendimento urgente aberto em 2011.

A luta imediata é para ganhar participação de mercado, a lealdade e os negócios dos muitos moradores afluentes e segurados da região. Mas o fim do St. Vincent também transformou a área num laboratório para a reforma da assistência médica. As novas clínicas e as manobras das grandes redes estão antecipando uma expansão no número de pessoas com seguro, além de mudanças na forma como o atendimento de saúde é entregue e remunerado. E isso vem testando a ideia, há tempos defendida por planejadores de saúde, de que a cidade pode sobreviver com menos hospitais.

Muitos médicos e alguns moradores ficaram consternados quando o St. Vincent pediu falência e fechou, e veem as novas opções de saúde na área como menos do que adequadas.

"Como clínico-geral, eu nunca mandaria um paciente ao centro de atendimento urgente se não fosse por uma laceração", declarou o Dr. David Kaufman, que fez residência no St. Vincent e trabalhou lá por mais de 30 anos.

Em seus últimos dias, porém, o St. Vincent estava preenchendo muito menos leitos e, como ocorre em outros hospitais, muitos pacientes de seu pronto-socorro não precisavam de cuidados de emergência, elevando os custos desnecessariamente.

Embora seja impossível saber se os moradores locais estão em pior situação sem o hospital, um estudo realizado em 2009 por analistas da RAND Corp. não descobriu nenhum impacto adverso sobre a qualidade, e significativas economias de custo, nos novos modelos de atendimento.

O estudo examinou pacientes de um grande plano de saúde de Minnesota que receberam atendimento por gargantas inflamadas, infecções no ouvido e infecções urinárias – reclamações comuns em clínicas de varejo como as de farmácias. Descobriu-se que o custo da assistência era de 30 a 40 por cento mais baixo naquelas clínicas do que em consultórios médicos e centros de atendimento urgente, e 80 por cento menor do que em prontos-socorros – principalmente devido a taxas mais baixas de reembolso e menos testes laboratoriais. O estudo também mostrou que a avaliação do atendimento preventivo e da qualidade geral do atendimento era pior para pacientes que procuravam prontos-socorros por essas doenças.

Executivos da Continuum, que administra cinco hospitais na cidade de Nova York, esperam que sua expansão à comunidade forme as bases de uma organização de atendimento confiável, um novo modelo de assistência apoiado pela lei federal que busca remover o máximo possível de pacientes dos hospitais, e premiar organizações de saúde por trabalharem juntas para aprimorar a qualidade e cortar custos. Em apenas uma região, hoje o paciente pode escolher entre 12 clínicas ou consultórios que foram abertos ou ampliados pela Continuum ou são afiliados a ela.

A Continuum também assumiu o antigo centro de câncer do St. Vincent, e estabeleceu uma clínica com foco em pacientes com HIV. Metade dos médicos da clínica, que recebeu o nome de Center for Comprehensive Care, foi contratada do antigo programa de HIV do St. Vincent.

"Centros de atendimento urgente estão abrindo em ritmo de Starbucks, e estamos nos afiliando ao máximo possível deles", afirmou Adam Henick, vice-presidente sênior de atendimento ambulatorial e empreendimentos médicos da Continuum.

A Continuum também se afiliou com médicos atendendo em 13 farmácias Duane Reade, e possui um contrato para expandir para 20 no próximo ano e 50 em quatro anos, disse James A. D'Orta, presidente e diretor da Consumer Health Services, que gerencia os atendimentos nas farmácias.

Não há troca de dinheiro nas afiliações da Duane Reade, afirmou Henick, mas há benefícios indiretos para os dois lados. O sistema hospitalar verifica credenciais dos médicos e oferece – mediante pagamento – serviços de laboratório, radiologia e imagens prescritos pelos médicos da Duane Reade. O sistema também recebe um potencial tesouro de pacientes indicados pelas clínicas. As clínicas Duane Reade ganham o prestígio de serem associadas a grandes hospitais e, quanto a outros atendimentos afiliados, os pacientes da Duane Reade ganham acesso rápido a especialistas da Continuum e acesso direto à internação hospitalar, quando necessária.

Embora uma meta da reforma de saúde nos Estados Unidos seja mover pacientes não emergenciais de hospitais a atendimentos ambulatoriais mais baratos, não existe uma variação de custo significativa entre as clínicas – mesmo entre aquelas que fazem parte da flexível rede da Continuum. Num mosaico bizantino de leis estaduais e federais, algumas clínicas especializadas podem ser reembolsadas (pela visita de um paciente) com valores várias vezes maiores do que consultórios e centros de atendimento urgente.

Funcionários do NYU Langone Medical Center dizem que também estão tentando expandir seu mercado.

"Tudo é intensamente competitivo e todos estão em toda parte", declarou Andrew W. Brotman, vice-presidente sênior e vice-reitor para assuntos clínicos e estratégia.

O sistema hospitalar que talvez tenha mais a perder com a concorrência é o North Shore-Long Island Jewish Health System. Ele está reformando seu prédio O'Toole, em frente ao velho St. Vincent e com 14.864 metros quadrados, como um pronto-socorro autônomo, esperando fazer 50 mil atendimentos por ano. Ele irá operar como uma extensão do Lenox Hill Hospital, um afiliado do North Shore.

Mas o pronto-socorro não deve abrir antes de 2014. Durante o verão, o North Shore foi obrigado a fechar uma clínica interina que havia aberto com uma concessão estadual de US$ 9,4 milhões. A clínica atraiu uma média de apenas dois pacientes por dia, o que um porta-voz do hospital, Terry Lynam, atribuiu aos horários limitados e à "proliferação do atendimento urgente" na vizinhança.

Michael J. Dowling, presidente do North Shore, acredita que há espaço para trabalhar de modo colaborativo com a Continuum e outros provedores de assistência médica na região.

"Bons hospitais são importantes, mas você não precisa de mais do que precisa", afirmou Dowling. "Em muitos casos, ficamos viciados em leitos de internação. Não podemos nos viciar neles no futuro."

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