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Varejo e Consumo

2012-09-13 20:21:19 - Para especialistas, até o final do ano haverá recuperação do poder de compra

Recuo da inadimplência deve levar consumidor às compras

"Conseguimos perceber perda de fôlego da inadimplência", diz especialista (Rayes)

Os sucessivos recuos mensais nos índices de inadimplência mostram que o consumidor brasileiro recupera o fôlego para voltar às compras e se endividar novamente. O panorama é positivo para o consumo. "O nível de endividamento mostra que o consumidor está gastando no varejo", disse a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Fernanda Della Rosa. "Há uma preocupação muito grande agora em liquidar as dívidas para poder comprar. O consumidor quer chegar ao Natal em condições de liquidez e a redução da inadimplência é salutar para o varejo", reforça Fernanda.

Para Carlos Henrique Almeida, assessor econômico da Serasa Experian, o consumo e a atividade econômica do país, assim como os níveis de inadimplência, irão melhorar gradualmente até o fim do ano. "É claro que não vamos ter um Natal como tivemos em 2010, quando estava tudo indo muito bem", disse Almeida. "O que importa é que a perspectiva é melhor do que tínhamos quatro meses atrás."

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na última quinta-feira, a alta das vendas do varejo em junho ante maio acima do esperado. O volume das vendas cresceu 1,5%, ante a queda de 0,8% do registrada em maio.

A projeção da FecomercioSP é de que o nível de endividamento fique entre 40% e 45% e a parcela de paulistanos inadimplentes seja de cerca de 10% no final deste ano, nível próximo ao registrado no fim do ano passado. Para a Boa Vista Serviços (administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito, o SCPC), a taxa de inadimplência do consumidor deve ficar próxima à registrada pelo Banco Central no ano passado, de 7,3%. As previsões da Serasa Experian também se aproximam das registradas em 2011: ao redor de 7% de inadimplência no fim do ano.

Comprometimento da renda - "O endividamento em si é bom, desde que isso esteja dentro da capacidade de pagamento do consumidor", afirmou o economista da Boa Vista Serviços, Flávio Calife. Para ele, o porcentual de endividados não é tão preocupante quanto o comprometimento de renda e a dívida média. "Se você tem um cenário em que os juros estão diminuindo e os prazos já aumentaram, há uma tendência de diminuição da dívida média."

"Nossa preocupação não tem de ser com o endividamento, mas sim com o comprometimento de renda, que recuou. Em março, tínhamos comprometimento de renda de 22,18%, passando para 21,99% em abril e 21,85% em maio", reforça Almeida, da Serasa.

A economista da FecomercioSP avalia que, embora pareça ter chegado a um nível alto, o endividamento está "relativamente estável". "A inadimplência teve um comportamento atípico neste ano", afirmou Fernanda, explicando que o comum é que a inadimplência caia no meio do primeiro semestre à medida que as dívidas feitas no Natal são quitadas. "Em uma época em que tenderiam a cair, os níveis de endividamento e inadimplência subiram por causa dessas vantagens oferecidas pelo governo, como a isenção do IPI para linha branca, móveis e carros. Todo mundo começou a comprar para aproveitar esses benefícios."


A tendência, concordam Almeida e Fernanda, é de que a inadimplência continue a cair. "Nosso indicador de perspectiva da inadimplência já mostrava uma expectativa de melhora gradual. Já conseguimos perceber perda de fôlego da inadimplência", disse o economista da Serasa Experian.

Mas Calife, da Boa Vista Serviços, alerta para o número de registros de inadimplência no Serviço Central de Proteção ao Crédito, que continua subindo. "A diferença é que o número de casos de recuperação de crédito também sobe e a gente espera fechar com ano com a recuperação crescendo mais que os registros", disse. "É bem possível que entremos em 2013 com inadimplência em queda."

(com Agência Estado)

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