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Comportamento

2012-09-13 21:30:14 - Marie Claire

'Com os desastres naturais, as pessoas pensam muito mais no presente do que no futuro', diz Gilles Lipovetsky

ESPECIALISTA EM "LUXO", O FILÓSOFO FRANCÊS GILLES LIPOVETSKY TEM LIVROS RELACIONADOS AO ASSUNTO PUBLICADOS EM MAIS DE 80 PAÍSES

O filósofo francês Gilles Lipovetsky esteve na tarde da última quinta-feira (16) no MuBE (Museu de Escultura Brasileira), em São Paulo, para concluir a tese lançada no primeiro dia da conferência “The New World of Luxury" (O novo mundo do luxo). Na segunda palestra, o autor de livros de sucesso como “O Luxo Eterno”, falou sobre o lado do consumidor da era do “Luxo Hipermoderno” – denominação da época que estamos vivendo atualmente, explicada na sua outra apresentação. A conclusão é dividida em três partes. Saiba quais são e entenda cada uma delas:

TRANSFORMAÇÕES

Como diz o nome, a primeira disseminação de Lipovetsky sobre o luxo atual fala da mudança de comportamento do comprador. “Antigamente, os nobres eram obrigados a mostrar suas riquezas através de hábitos e vestimentas. Cada classe social era diferenciada através de, por exemplo, roupas usadas por um grupo”, diz. Hoje, com a democratização do luxo, o filósofo pontua a autonomia de quem compra. “Uma mulher pode usar uma bolsa Hermès e, ao mesmo tempo, vestir um jeans de uma marca como a Zara”, afirma.

Esta fatia também está ligada à falta de fidelidade do homem com relação a uma marca, o que não não significa uma crise no mercado, mas sim a maior opção para quem quer consumir. “O costume antigo de ir sempre a uma loja ou até mesmo a uma costureira acabou. Mas, hoje, para fidelizar os clientes, as empresas investem em clubes VIP, newsletter e até facilidades para aqueles que compra mais”, diz o estudiosos sobre as estratégias do mercado atual.

EMOCIONAL X OSTENTATIVO

Apesar de afirmar que o consumo ostentativo será “eterno”, Gilles mostra um novo lifestyle do mercado: o emocional. “Quando se é um novo rico, existe a vontade de mostrar aquilo que tem”, comenta o estilo de vida daqueles que ainda precisam provar que consomem o luxo. Porém, o novo comportamento vai além do superficial, ele privilegia mais o bem-estar e a cultura ao invés de, por exemplo, joias poderosas. “A experiência neste caso é muito mais importante. É só você pensar em bilionários que compram uma viagem para ir ao espaço ou mesmo aqueles que se importam em fazer tratamentos contra rugas ao invés de investir apenas em maquiagem”, diz Lipovetsky.

 

UM MUNDO CAPITALISTA

Dados apontam que 50% da vendas de grandes maisons francesas não vem de clientes fieis, mais sim daqueles que compram ocasionalmente um presente especial para um amigo ou mesmo para um acontecimento importante, como um casamento. Esta parte também está ligada à cultura de viver o agora. “Com terremotos e outros desastres naturais, as pessoas estão pensando muito mais no presente do que no futuro”, afirma o filósofo. Um bom exemplo é a volta ao consumo logo depois do tsunami que devastou o Japão em 2011. “Após três meses do ocorrido, as filiais de grifes francesas no Japão já tinham voltado aos seus faturamentos normais. Se isto não freou as compras no país, não sei o que pode fazer as pessoas pararem de consumir no mundo”, diz.

Fotos: divulgação

 

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