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Tecnologia & Tendências

2012-09-13 20:03:55 - administradores.com

Avanço tecnológico exige administrar privacidade

O avanço da tecnologia deslumbra mas invade privacidade. Administrar privacidade requer ter consciência dos limites da exposição. Grave é que poucos o desejam ou se preocupam com isto.

Por Renato Bernhoeft

A vulnerabilidade da vida privada dos usuários contumazes de tecnologia está aumentando a cada dia, na direta proporção em que a mesma evolui do ponto de vista da abrangência e amplia suas facilidades de acesso.
Sem contar todos aqueles viciados que já afirmam, de forma categórica, "não compreender como era possível viver sem todas estas 'facilidades e maravilhas' do mundo moderno".

Exemplo deste risco crescente é a ação iniciada pelas duas maiores redes de cartões de crédito dos Estados Unidos – com presença no mercado mundial – que estão ingressando em uma nova área de atuação: usar suas informações sobre compras, com cartão de crédito, para tentar alcançar seus usuários com anúncios e mensagens on-line.

Segundo noticiário do "The Wall Street Journal", esses planos, se implementados na plenitude do projeto em discussão, podem representar não apenas uma proeza tecnológica – vincular a vida das pessoas na internet às suas compras com cartão – mas também uma completa erosão de anonimato na rede.

É bastante claro que, todos estes estudos para novos produtos e serviços, tem como base os estudos e análises sobre a própria conduta das pessoas, que a cada dia expõem mais a sua vida privada. E isto acontece tanto através da criação de 'personagens', baseados naquilo que gostariam de ser. Ou ainda aquelas que imaginam que, tudo o que fazem no seu quotidiano, possa ser do interesse dos demais. Seja isto de forma anônima ou mesmo pública.

Segundo o documento interno do estudo de uma destas operadoras, "você é o que você compra". O que admite, e prevê, na essência, que este comportamento consumista é uma conduta crescente. E, com base nesta tendência será cada vez mais possível manipular as decisões das pessoas em várias áreas da sua vida.

Um dos exemplos mencionados é que é possível emitir um anúncio de produtos sobre perda de peso para uma pessoa que acaba de passar seu cartão em uma lanchonete de comida rápida – e em seguida monitorar se a pessoa comprou os produtos anunciados.

O grande objetivo do processo é vincular os usuários da internet a informações sobre seus comportamentos reais de compra, a fim de segmentar os anúncios e publicidade.

Ou seja, disponibilizar, utilizar e divulgar, conhecimentos detalhados sobre a vida das pessoas, que não se encontram amplamente disponíveis em outros meios de comunicação ou propaganda.

Para que se possa ter uma dimensão dos impactos deste projeto, basta verificar que estas duas operadoras processaram, apenas no ano de 2010, 68 bilhões de transações. Todas elas acompanhadas das respectivas informações sobre o dia, hora, valor, nome e endereço onde a operação foi realizada.

Estão incluídas aí também as possibilidades de acessar e utilizar "informações de sites de rede social, dados de agências de crédito, de buscas na internet, pedidos de seguros, bancos de dados e até DNA".

Para os publicitários consultados, todo este conjunto de informações foi considerado uma verdadeira "mina de ouro", porque lança luzes sobre o orçamento da pessoa, aonde ela compra e como ela usa e passa o seu tempo livre.

Além de já percebermos, em alguns casos, de que a tecnologia pode distanciar as pessoas – o celular, de acordo com seu uso, pode aproximar os distantes e afastar os próximos -, agora também se intensifica o desafio de administrar a privacidade.

Portanto, não se deve atribuir, de uma forma muito simplista, à moderna tecnologia as dificuldades em administrar melhor nosso tempo e também nossa privacidade.

Basta ter a capacidade de desligar todo o aparato que escolhemos para nos acompanhar, de forma a proteger nossas relações com os demais, bem como também nossa preciosa intimidade.

Afinal, interrupções de bips, sons e músicas repetitivas pode ser assunto de educação ou falta de respeito aos demais. A fixação das prioridades, bem como os limites na privacidade, são responsabilidades de cada um. Não podem ser delegadas ou transferidas.

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